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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

COMO ESCREVER UMA MONOGRAFIA

     Embora, para a monografia, não se exija a pesquisa de uma tese de mestrado, ambas seguem a mesma estrutura. Monografia é um trabalho científico, não se confunde com um resumo ou anotações de sala de aula. Não há certezas, mas dúvidas. Parte-se de um ponto (a introdução) em direção a outro (a conclusão), em sequência lógica, dinâmica e dialógica.
À parte o resumo, substract, agradecimentos e sumário, o termo de conclusão de curso é constituído de introdução, desenvolvimento e conclusão. 
Poderia dizer: "Simples assim". Mas, analisando melhor, a coisa não é tão simples.
  Tive sorte em meu primeiro trabalho, porque escolhi um  excelente orientador, exigente até demais (li, reli o escrito vezes sem conta). Houve fila para escolhê-lo, mas o elegi na metade do penúltimo ano (cada orientador tem um limite de alunos).
     Para contar com sua colaboração, também colaborei: durante o quinto ano, cheguei mais cedo, um dia por semana, e assisti uma aula dele, ministrada para... 
o segundo ano. Anotava, participava. Encerrada a aula, o acompanhava até a sala dos professores e, depois, à sala de orientação. Foi assim durante um ano inteiro, sempre com uma aula além das regulamentares, cumulada com aquelas que tinha no último ano.  Apenas não fazia as provas, se caíssem elas nesse dia. Os outros orientandos ficaram à deriva, porque a orientação era dada no horário das aulas. É questão de estratégia e oportunidade: uma aluna do quinto ano assistir as aulas do segundo, por vontade própria, participar, anotar etc. sempre gerará mais prestígio a um professor. 
     Você vê pela minha experiência que, se não tivesse me dedicado ao máximo, não teria o máximo dele. Trocávamos e-mails, ele sempre sintético: faça isto ou aquilo. E eu revia todo o trabalho, mais uma vez. Como, por exemplo, jamais utilizar a primeira pessoa. Sempre trabalhar com o impessoal. Ele, monossilábico, eu batalhando para apresentar outra vez o trabalho e ele apontar mais algum deslize. Não foi fácil, mas valeu a pena.
     Você escolheu um tema com o qual tem afinidade? Não importa sobre o que escreva, pesquise muito primeiro, leia a respeito tudo o que encontrar e veja se se interessa. 
     O ideal seria desenvolver um tema ao lado do professor, fechando (de assunto a tema). Veja que um professor brilhante pode não ser o melhor orientador. Isso é ilusão. 
     Uma das minhas filhas adiou a elaboração da monografia. Tinha muito medo e queria fazer bonito. Escreveu sobre um tema que a interessava e era pouco pesquisado e, ao final, se saiu muito bem. 
     Se você escrever direitinho (e tecnicamente), pesquisar, não plagiar, passa, sempre. Nota alta é outra coisa. Muito alta, outra, ainda. E isso tem um preço: tempo e dedicação. Muito tempo.
     As faculdades não exigem uma defesa de tese (eu pesquisei o meu trabalho durante um ano e meio e o revisei cada semana, durante um ano, por isso foi tão bom). Isso é reservado para o mestrado e o doutorado. O que exigem de nós é uma experiência com um trabalho científico.
     Na terceira pós graduação, não vou me desgastar tanto. Vou escrever direitinho, pesquisar, não plagiar, seguir a cartilha. Sem neuras. 

TEMA
     Escolha o tema. "Tema", por definição, é diferente de "assunto".
     Suponhamos que você queira falar sobre a Lei Maria da Penha. Este é um assunto, que é abrangente.
     Para a monografia, deve ser delimitado o tema, no tempo e no espaço. Então estará definida a problemática, a importância da pesquisa, a ser destacada na introdução.
     Evite o título "Lei Maria da Penha", por exemplo. Se não conseguir delimitar suficientemente e o tema abrangente, você terá que saber tudo e não terá como fugir de alguma pergunta, na apresentação. É melhor: "Considerações sobre a violência contra a mulher e a Lei Maria da Penha". Não é o ideal para uma monografia, mas para título de redação. Mas, desta forma, o título não o compromete tanto e pode escapar ao que não é o mais relevante. Quanto a isso, tanto o orientador como a internet podem ajudar.
     Para mim, o texto ideal sempre soa algo como "O efeito do cataclisma do outono de 1970 sobre as margaridas do campo na cidade de Mirassol". Percebe como não podem ser cobrados conhecimentos sobre rosas ou orquídeas, sobre outra região ou outro evento? Tudo o que for perguntado e respondido além do tema é um plus, tudo o que for perguntado e não respondido, um nada.
     Se o tema abordar uma lei, necessariamente devem ser mencionadas no texto as exposições de motivos que fundamentaram seu surgimento. O que motivou os legisladores a elaborar a lei.

SUMÁRIO
     Definido o tema, elabore o sumário. Sempre.
     Ele servirá de guia para as pesquisas e será modificado durante o trabalho. No caso da Lei Maria da Penha, por exemplo, destaque: 1.      Quem foi Maria da Penha. 2. Como eram tratados os crimes domésticos, antes da publicação da lei? 3. O que mudou? 4. Como ocorreu a mudança? 5. Direito Comparado (não precisa coletar legislação do mundo inteiro, mas uma meia dúzia de exemplos) etc etc.
     Veja que cada capítulo pode ser escrito separadamente. Depois serão eles ordenados, cortados ou mantidos.
     Existe um longo trabalho de revisão, inclusive para que toda a pesquisa caiba no limite de folhas exigido.
     Tomando como exemplo o tema "Tutela antecipada em face da Fazenda Pública. Possibilidades e vedações": na hora da montagem, defina o que é tutela antecipada, requisitos, natureza. Se abordar aspectos históricos, virão antes da definição. Depois, as características das ações contra a Fazenda (o caso da revisão obrigatória, prazos etc.). Por fim, o capítulo sobre a tutela ligada às ações contra a Fazenda. As idéias devem seguir um raciocínio lógico.

NORMAS DA ABNT
     Como a monografia é um trabalho científico, deve seguir regras preestabelecidas. Consiga as regras, o limite de folhas (máximo e mínimo), tamanho da fonte, regras de diagramação etc. Existe uma forma convencionada para as citações (como citar o nome do autor, da obra, ano etc.) Quando escrever, pois, deve já elaborar o trabalho seguindo as normas.

PESQUISA - BIBLIOGRAFIA
     Elaborado o sumário, o próximo passo é pesquisar. Independentemente do tema, a pesquisa é necessária. Pesquise muito, em livros, artigos e monografias. 
     Uma dica importante: cada trabalho que pesquisar será referencial de outras obras. Um único livro indicará vários outros, que devem ser também pesquisados, e muitos destes referenciais se repetirão em outras obras analisadas. Daí temos os clássicos, aqueles que embasam o entendimento sobre o assunto, e as obras que inovam, porque repensam ideias preestabelecidas.
     A Lei Maria da Penha aniversariou. Uma boa oportunidade para assistir palestras que correram por conta do evento. Pode ser interessante colher a posição atual da doutrina e dos tribunais.
     Existem, também, as delegacias da mulher. Que tal visitar algumas e entrevistar o delegado/delegada? Daria maior conteúdo à monografia e impressionaria os examinadores. Já pensou que legal?

QUEM ESCREVE?
     Quando escrever, seja impessoal, sempre. Sua opinião só deve ser (e deve ser) colocada na conclusão, escrita nas mesmas proporções (tamanho do texto) que a introdução.
     E a mono deve ser narrada, também, de forma impessoal (não existe nós, eu, mas, por exemplo, "O trabalho desenvolve-se de forma a dar contraste à narrativa, que por sua vez é elementar"). Percebe que é uma narrativa científica - não existe pessoalidade?

COMO ESCREVER?
     Como adiantei, a monografia é um trabalho de pesquisa. Portanto, não parte de certezas, mas de dúvidas, que serão esclarecidas ao longo do trabalho. Não pode, portanto, ser abordada apenas uma posição, mas posições: "Segundo fulano é assim", "conforme Beltrano é assado". Não é bem-vinda a adjetivação excessiva nem o excesso de advérbios.
     Durante a elaboração do texto, se bem que desejável o bom português e a correção gramatical, não é ela o mais importante, mas a clareza das idéias - sempre poderá rever o texto, mas dificilmente incrementar um trabalho fraco. 
     Cada capítulo, subcapítulo e a monografia, como um todo, é composta de introdução, desenvolvimento e conclusão.
     Fuja das longas frases e parágrafos, de termos rebuscados e de palavras inúteis.
     Se vai falar sobre as fontes heterônomas, por exemplo, deve falar, também, das fontes autônomas.
     Sempre que utilizar um termo técnico, deve esclarecer seu alcance e sentido. Defini-lo. A melhor monografia é aquela que tanto o iletrado como o douto conseguem compreender.

PLÁGIO
     Não copie o que pesquisar. Isso é plágio, facilmente identificável pelos professores nos sites de busca. da internet. Também é plágio o "copiar com outras palavras". Uma curiosidade: o famoso quadro O Grito do Ipiranga, elaborado por Pedro Américo, é suspeito de plágio da obra de Jean-Louis Ernest Meissonier, Napoleão em Friedland.
     Seja leal.

CITAÇÕES
     A monografia não é uma colagem de textos. A maior parte do que escrever estará apoiada pelos doutrinadores. O que deve, obrigatoriamente, ser citado? O doutrinador que tiver opinião contrária à maioria e aquele que melhor definir o tema. Se o que você falar é chuva no molhado (assunto batido) não precisa citar ninguém.

REVISÃO
     No começo, é escrever. Depois virão as revisões. Revisões e revisões, que é o trabalho mais chato.
     Quando o texto estiver pronto, deve exceder o limite em algumas páginas e todo o excesso será retirado na análise e correção.
     A cada leitura o texto melhorará, com o corte de vírgulas e palavras desnecessárias, a correção dos erros de concordância. Serão necessárias muitas leituras para que a obra se torne definitiva.
     Certos vícios, como a repetição do termo "que" também comprometem o texto. Deve-se evitar o gerúndio.
     Não se preocupe tanto com correções, enquanto escreve. Escreva. Se encontrar erros, corrija. Se nos atermos aos erros, antes, o trabalho não avançará e você não fará outra coisa senão pensar na estética, sem cuidar do conteúdo.
     O trabalho é lido no todo e corrigido, uma vez. Parece que ficou bom. Mas não: em outra leitura novos erros surgem. E em outra. Cada palavra é lida separadamente e em seu contexto. Apesar de trabalhoso, é gratificante.
     Se tiver um amigo bem disposto, peça a ele para ler e apontar os erros que encontrar. Pergunte se ficou claro o que você escreveu. O mais bacana de outra pessoa ler é que ela encontrará com maior facilidade erros que nossos olhos, já treinados em percorrer a escrita, não encontra.
     Chegará uma hora em que, de tanto ler e corrigir a mesma coisa (jamais deixar linhas órfãs ou viúvas, sempre começar um capítulo na em folha limpa, a narração impessoal, limite de folhas...) que você estará cansado do tema. A monografia estará, então, pronta; o filho, parido.
     E mesmo assim, como disse Monteiro Lobato: os "sapos", no prelo, saltarão. É inevitável. 
Respeite o direito autoral.
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Um abraço!
Thanks for the comment. Feel free to comment, ask questions or criticize. A great day and a great week! 

Maria da Glória Perez Delgado Sanches
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ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
Ah, se eu pudesse! Você pode! A escolha é sempre sua.

Quem sou eu

Minha foto

Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

Pergunte, comente, critique, ok? A casa é sua e seu comentário será sempre bem-vindo.

Maria da Gloria Perez Delgado Sanches

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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